Claudia Telles - "Sambas e Bossas"
Emílio Pacheco
Deveria haver uma forma de se saber, pela capa de um CD, quando se está diante de uma obra-prima. Uma estrelinha piscando, uma aura brilhando ao redor, qualquer coisa assim. Tudo para evitar que uma jóia rara como “Sambas e Bossas” seja confundida como mais um entre tantos caça-níqueis com regravações de clássicos e sucessos. Não é o caso: são quinze faixas ou sessenta minutos de pura finesse musical, com aquele som acústico e insubstituível dos instrumentos “de verdade”: Haroldo Goldfarb nos teclados, João Faria no baixo, Wilson das Neves na bateria, Marcello Lessa no violão e Don Chacal na percussão. E uma intérprete especialíssima: Cláudia Telles.

O CD tem ainda convidados ilustres como Tito Madi, Johnny Alf, Rosa Marya Collin e Nelson Sargento. E assim, num passeio pela mais límpida bossa nova e um pouco de samba, viajamos ao som de “Pra Que Chorar” de Baden e Vinicius, “Chuva” de Paulinho da Viola, “Água de Beber” de Tom e Vinicius, “Mais Que Nós” de Johnny Alf (com o próprio no piano e vocal) e Rômulo Gomes, “Tu e Eu”de Altamiro Carrilho e Armando Nunes, “Zelão” de Sérgio Ricardo, “O Morro Não Tem Vez” de Tom e Vinícius, “Eu e a Brisa” de Johnny Alf, “Bonita” de Tom e Ray Gilbert, “A Culpa É Sua” de Tito Madi e Lysias Ênio, “Falso Amor Sincero” de Nelson Sargento, “Linha de Passe”, “De Frente pro Crime” e “Kid Cavaquinho” de Bosco e Blanc, “Nanã”, de Moacir Santos e Mário Telles e “Serrado” de Djavan.

Ao final, como num bis, Claudinha regrava seus sucessos de início de carreira: “Fim de Tarde” e “Eu Preciso te Esquecer”, ambas de Mauro Motta e Robson Jorge. Originalmente duas baladas soul, aqui elas ganham o mesmo tratamento acústico e bossanovesco das demais faixas, num resultado belíssimo. A jovem cantora que estreou nos anos 70 buscando uma identidade musical própria é hoje uma artista amadurecida, que pode seguir o estilo de sua mãe Sylvia Telles sem medo de comparações.